Guilherme de Camargo - Cordas Dedilhadas

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O projeto “Cordas Dedilhadas” vem coroar anos de pesquisa e estudos realizadas por Guilherme de Camargo, em que o repertório para alaúde renascentista, guitarra barroca, teorba , guitarra romântica e viola de arame é contemplado. Este repertório, embora vasto e rico em sua constituição, raramente pode ser visto nas salas de concerto do país, particularmente em recital que abranja todos os instrumentos simultaneamente.

Guilherme de Camargo afirma-se como o principal representante das cordas dedilhadas antigas no Brasil, e uma circulação consistente do repertório solo para estes instrumentos preencherá uma lacuna substancial no cenário musical do Brasil.

O interesse da platéia está na riqueza timbrística destes instrumentos ainda pouco conhecidos no Brasil. Além disso, a beleza física dos instrumentos, bem como suas particularidades de construção, despertam a atenção do público, que se envolve com o repertório executado na mesma medida em que passa a conhecer os instrumentos apresentados pelo artista.

Anos de pesquisa de repertório, associados ao aprimoramento técnico na execução de cada instrumento, possibilitam ao artista executar de maneira competente e inédita, a música escrita entre os séculos XVII e XIX, em toda a Europa e também no Brasil.

Cada um dos instrumentos escolhidos este projeto de circulação apresenta características peculiares de estilo, técnica de execução e timbre.

 O repertório para alaúde renascentista, escrito primordialmente na Europa, no século XVI, é vasto e engloba música em diversos estilos, como a música elisabetana, a música italiana, a música para dança e intabulação de obras vocais.

O repertório para guitarra barroca define a expressividade da música espanhola nos séculos XVI e XVII, e afirma-se como estrutura para o desenvolvimento da arte musical espanhola nos séculos seguintes. Ganhou também interesse na França, onde o estilo de composição modificou-se substancialmente, bem como na Itália e Inglaterra.

A teorba, instrumento desenvolvido a partir dos alaúdes-baixo do renascimento, ganhou interesse a partir da “Nova Música”, escrita pela Camerata Fiorentina no início do século XVII, e teve seu repertório desenvolvido, de forma peculiar, na França, onde fazia parte dos instrumentos prediletos da corte.

A guitarra romântica marca uma importante etapa na história do desenvolvimento dos instrumentos de cordas dedilhadas. Por apresentar seis cordas simples, e não mais cordas duplas ou triplas, sua sonoridade abre novo universo de possibilidades, determinando o início de um processo que daria origem ao violão moderno. Dotada de um timbre aveludado, inúmeros compositores a ela dedicaram suas obras, como M. Giuliani e F. Sor e Mateo Carcassi.

A viola de arame assume papel de grande interesse neste registro, uma vez que é o desenvolvimento, em Portugal, da já mencionada guitarra barroca. Naquele país foi encordoada com cordas de aço (ao invés da tripa utilizada para os demais instrumentos) e, ao ser trazida pelos colonizadores ao Brasil, acabou por transformar-se na nossa conhecida e querida viola caipira. O repertório solo para este instrumento é o mais recente neste registro (final do século XVIII e início do XIX), e constitui a ligação entre os instrumentos de cordas dedilhadas na Europa e no Brasil.

Em quase todo o mundo o repertório para cordas dedilhadas antigas vem sendo motivo de interesse de artistas, do mercado fonográfico e do público em geral.  Pela primeira vez no Brasil, pelas mãos de Guilherme de Camargo, o mais proeminente artista brasileiro a dedicar-se a tais instrumentos, este repertório inédito nas salas de concerto nacionais será apresentado. O artista apresenta cada instrumento pro meio de explicações verbais, possibilitando à platéia que compreenda o contexto em que cada repertório foi escrito, bem como se deixe envolver pela sonoridade única de cada instrumento.

O recital pretende mostrar ao público não apenas a sonoridade peculiar de cada instrumento, mas contextualizá-los historicamente através de explicações feitas durante a apresentação.

Desta maneira, cada compositor e instrumento passam a fazer parte de um universo onde a platéia passa a compreender sua importância estilística e histórica.

Assim, todos os instrumentos que se caracterizam como antecessores de nosso violão moderno, serão conhecidos e apreciados pelo público em geral.